A simplicidade genial do logo do Citibank, por João Mordido | 10.digital

Campanha Favorita – citibank por joão mordido

A simplicidade genial do logo do Citibank

Em 1998, nos EUA, o Citibank, um gigante da banca, fundiu-se com o Travelers Group, um portento da área dos seguros. Criar uma imagem corporativa para esta fusão ficou a cargo da famosa designer Paula Scher.

Em segundos, Paula Scher desenhou, num guardanapo de papel, a imagem corporativa da nova empresa que resultou da união das duas. Partindo da palavra citi, a designer colocou um arco superior a unir os dois is, simbolizando a fusão. Sob o arco está o “t” minúsculo. Visualmente, o arco e o “t” formam um chapéu de chuva, que é o símbolo do Travelers Group – o arco é o topo do chapéu e o “t” o respetivo cabo.

Confrontada com a rapidez com que desenhou este símbolo, que num ápice se tornou icónico, a norte-americana respondeu algo como isto: “Demorei poucos segundos a desenhá-lo, mas levei 34 anos a aprender como desenhá-lo em poucos segundos.”

Na minha opinião, a Paula Scher é uma espécie de Rei Midas porque transforma em ouro tudo o que toca. Isto é válido especialmente no caso do Citibank, que escolho como a minha campanha favorita.

A Paula Scher é, para mim, a melhor designer do mundo ao nível da linguagem corporativa. Sou o João Mordido (o apelido tem origem alentejana) e estou na 10.digital há cerca de quatro meses. Vim para cá porque esta empresa é um projeto interessantíssimo e queria experimentar coisas novas.
Tenho 37 anos, sou designer gráfico, e o que mais gosto de trabalhar é em design corporativo. A Paula Scher diz que “a identidade é o princípio de tudo. É como algo é reconhecido e compreendido. O que é que podia ser melhor do que isso?”

A tipografia é fulcral para fazer passar a mensagem gráfica e ela trabalha muito com esse pressuposto. Uma frase dela que acho espetacular é: “As palavras têm significado, a tipografia tem alma”.

Entre inúmeros outros trabalhos, a Paula Scher fez a identidade do Windows, Metropolitan Opera e The Public Theater NY, só para vos dar alguns exemplos, muito poucos numa obra vastíssima. O trabalho dela já foi exibido um pouco por todo o mundo e está representado nas coleções permanentes em museus de Nova Iorque, Washington, Filadélfia, Denver, Londres, Zurique ou Paris.

 

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O orgulho e bom gosto africanos, por Ernest da Cruz | 10.digital

Orgulho e bom gosto africanos

Os portugueses não estão familiarizados com este anúncio televisivo, mas vale a pena vê-lo pela sua mensagem, capacidade de surpreender, e diversidade e beleza de imagens. Foi feito pela Ogilvy & Mather de Joanesburgo para a também sul-africana DStv, empresa que, desde 1995, disponibiliza muitos e variados canais de televisão por satélite, em 48 países da África subsahariana, contando com aproximadamente 12 milhões de clientes.

O pequeno filme, em língua inglesa, pega nos estereótipos negativos sobre África e os africanos, mais comuns fora deste continente. Não nega essas ideias feitas, antes concorda com elas, mas dá-lhes a volta, mostrando-as de uma forma positiva.

Por exemplo, dizem que os africanos habitualmente se envolvem em tiroteios (em inglês, shooting). Como a palavra inglesa também significa filmar, o anúncio diz que sim, que estão sempre a filmar. África também é associada ao termo preto e no anúncio vemos que isso é verdade, comprovada por imagens de uma beldade negra. A narrativa termina com a mensagem: “Isto é África. Não como eles a vêem, mas como nós a conhecemos.”

O vídeo da campanha pode ser visto em

Chamo-me Ernesto da Cruz, tenho 28 anos e sou web designer na 10.digital. Nasci na Suazilândia, onde vivi até aos 9 anos de idade. Depois vim para Portugal e percebi melhor como África é vista pelos europeus. Tenho família na Suazilândia e na África do Sul e, por isso, continuei a ir lá durante as férias, descobrindo este anúncio, que chegou aos ecrãs no final de 2014.

Esta é a minha campanha favorita porque gosto da atitude de concordarem com os estereótipos sobre África, dando-lhes, logo de seguida, a volta, com classe e bom gosto. Existem entre nós preconceitos, uma ilusão sobre o que é que cada cultura consiste, mas essas ideias não correspondem à realidade. O importante é não generalizar, aceitar as nossas diferenças de bom grado, e partir daí para melhor.

 

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“Chocapic, forte em chocolate”, por Pedro Pereira | 10.digital

10.digital, Camapanha Favorita por Pedro Pereira

Chocapic forte em chocolate

Cereais para o pequeno almoço com chocolate e um anúncio televisivo com uma história contada através de desenhos animados. Não é preciso muito para deixar uma criança fascinada. Os cereais chamam-se Chocapic, foram lançados em 1986, então com uma embalagem branca e um moinho animado por uma expressão gulosa como mascote. Mas a mascote que se tornaria mais conhecida, o cão Pico, pensada para transmitir valores como a amizade e o companheirismo, surgiu em 1991.

Olá, eu sou o Pedro Pereira, tenho 27 anos e sou o responsável de Recursos Humanos da agência 10.digital. A minha infância ficou marcada por este anúncio do Chocapic forte em chocolate e daí o escolher como a minha campanha favorita. Era um anúncio televisivo simples e cativante e, não sendo eu um especialista em marketing como os que temos na 10.digital, não duvido que tinha um efeito duradouro na mente de uma criança.

Pode ver o anúncio aqui:

Além do encanto que a campanha produzia nos mais pequenos, para mim tinha ainda outro atrativo, que eram os bonecos, brindes ou as figuras para recortar que vinham nas caixas, por vezes relacionados com o futebol, desporto de que gosto muito. Uma coisa é certa: no meu caso (que tenho formação em Psicologia), a publicidade produziu o efeito desejado porque pedia sempre aos meus pais para comprarem Chocapic. Sem dúvida que influenciou o meu consumo.

 

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“Gasolina mal precisam, oficina nem pensar”, por Aníbal Rodrigues

“Gasolina mal precisam, oficina nem pensar”

Os mais novos não se recordam deste anúncio porque já passou há uns bons anos na RTP, quando em Portugal não havia outras televisões. Era um anúncio simples, tal como o automóvel que anunciava, o Citroën Dyane, modelo que também foi produzido no nosso país. A publicidade tinha mensagem e grafismo que facilmente captavam o interesse de um miúdo que gostava de carros e de desenhos-animados.

O narrador dizia:
“Lá vem o João Ancinho, que tem muito que plantar. Sacos, alfaias, sementes, e a Dyane a transportar.
[assobios]
Bom dia!
Viva, bom dia!
[assobios]
Lá vem a dona Maria mais o seu belo carrinho.
Leva os meninos à escola, faz as compras de caminho.
Nha, nha, nha [careta de uma criança através do tejadilho descapotável]
E eu a vê-los passar…
[Lamentam-se o mecânico e o gasolineiro] Que diabo de negócio eu havia de arranjar!
Gasolina mal precisam, oficina nem pensar!
Citroën Dyane”

Pode ver o anúncio aqui:

Acabava com o carro a desaparecer na linha do horizonte, quase como o final de uma história de Lucky Luke.

Bom, mas já vai sendo tempo de me apresentar: chamo-me Aníbal Rodrigues e sou, desde há pouco tempo, marketer na agência 10.digital. O que impressiona neste pequeno filme, que recorre a um truque quase tão antigo como a Humanidade – a rima -, é a sua capacidade para perdurar, durante décadas, na memória de quem o viu. Ainda para mais face aos padrões atuais, em que todos os dias somos bombardeados com uma montanha de informação, que permanece nas nossas mentes durante breves períodos e, na maior parte das vezes, desaparece sem deixar rasto.

Facto é que a memória deste carro francês e, sobretudo, aquele “Gasolina mal precisam, oficina nem pensar” me ficaram gravados na mente até hoje. Os valores a transmitir resumem-se a polivalência, robustez e economia de combustível. Mas, muitas vezes, o mais difícil é fazer simples e aqui está uma prova de que usar ingredientes singelos e fáceis de assimilar tem tudo para dar certo.

 

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“Onde está o pão?”, por João Pereira

Eduardo Madeira com Flora em “Onde está o pão?”

Não deve existir lar português onde nunca tenha entrado uma embalagem de margarina. Perdão, o marketing está sempre a criar coisas novas e a designação atual é creme vegetal. Quem ainda não ouviu falar de Planta ou de Flora para barrar o pão? Mas deixemos a Planta e concentremo-nos na Flora, que isto é sobre ela.

A Flora já é visita habitual na casa dos portugueses há tantos anos que, até pelo nome, mais parece um produto nosso. Não é. Somos bons, mas nem tanto. A Flora é vendida em vários países e produzida pela multinacional Unilever. Foi criada para ser uma alternativa mais saudável à manteiga e à banha e lançada nalgumas farmácias, em 1960, tendo chegado às mercearias em 1962. O facto de um responsável de marketing da Unilever ter uma mulher com o nome Flora terá estado na origem do nome. Nada a ver com a vida das plantas, portanto.

A minha campanha favorita é uma da Flora. Acho que lhe podemos chamar “Onde é que está o pão?”. Chamo-me João Pereira, tenho 33 anos, e sou junior digital marketer na 10.digital, uma empresa jovem mas com grande capacidade para tratar, com humor e originalidade eficazes, o marketing digital de produtos de grande consumo.
Na minha opinião, este anúncio da Flora tem muitas qualidades, mistura arte e humor e, há cerca de uma dúzia de anos, teve o engenho de recrutar um dos atuais atores/humoristas mais reconhecido pelos portugueses, chamado Eduardo Madeira.

A ação passa-se num teatro, durante o ensaio para uma peça. Eduardo Madeira, com um penteado garrettiano e trejeitos de quem conhece a obra completa de Shakespeare, está sentado junto à boca de cena. Explica ao ator que está no palco que o que tem de fazer é simples: abrir a porta do frigorífico e perguntar onde está o leite. Mas este faz o movimento de abertura e pergunta onde está o pão. Madeira corrige e o ator volta a enganar-se, perguntando onde estão as tostas. Nova correção e novo erro; desta vez saiu torradas.

Exasperado, Madeira dirige-se ao palco e volta a ensinar o ator a dizer leite. Mas, mesmo assim, ele diz torradas. Então o humorista decide dar o exemplo e dispara: “Jovem, será assim tão difícil chegares aqui e dizer onde é que está o… pão?” Ou seja, também se engana. Porquê? Porque dentro do frigorífico está, apenas e só, uma embalagem de Flora. Moral da história: “A vida é feita de pequenas obsessões. Até no pão. Flora, é como eu gosto.” Pode ver o anúncio aqui:

Na altura, ainda bem longe de imaginar que iria trabalhar em marketing digital, pareceu-me uma publicidade fora da caixa, com história. Não era um simples anúncio. Fez-me rir. Ainda assim, continuei a comer manteiga porque, quando era miúdo, enjoei de margarina, mas não duvido de que, naquela altura, aumentou a notoriedade da Flora, tornou-a ainda mais conhecida, desenvolveu o chamado “brand awareness”. E não duvido que terá aumentado as vendas da marca. Teve, por certo, um bom retorno.

 

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“Vi o que fazes com laranjas…”, por Vasco Simões

As inesquecíveis Choco Flakes da Cuétara

O gordinho do meu grupo de amigos era eu, o Vasco Simões… e sabem que mais? com bastante orgulho! Aquele peso extra não me chateava. Na altura, com um Índice de Massa Corporal muito mais desapropriado do que hoje em dia, era bastante mais saudável. Treinava andebol, em média três vezes por semana, mais jogo ao fim de semana. Era um anafado bastante dinâmico e desportista!

Aceitei a implacável regra de “o gordo vai à baliza”, mas sempre quis ser o melhor guarda-redes da escola. O meu objetivo era deixar de ir à baliza por ter uns quilinhos a mais e passar a ir por ser o melhor. Consegui!
Senti esta mesma determinação assim que vi o anúncio das, na altura novas, Choco Flakes da Cuétara. Pensei: “Eu quero estas bolachas!” Ponto.

O spot publicitário das Choco Flakes, que podes ver em baixo, tinha como personagem principal um boneco animado. Ele queria comer as Cuétara Choco Flakes com leite. No entanto, ao pegar no pacote do leite viu que estava vazio. Dirige-se ao espremedor de citrinos e diz: “Vi o que fazes com laranjas; se eu te trouxer uma vaca, tiras-lhe o leite?”

Cinco minutos depois, lá estava eu a tocar no ombro da minha mãe (ela estava sentada) e a dizer-lhe que queria provar as bolachas novas da Cuétara. A minha mãe não atendeu logo ao meu pedido, mas como sempre fui persistente (talvez mesmo chato), nunca desisti. Todos os domingos de manhã, antes de ela ir fazer as compras semanais, lá estava o gordinho a dizer “Mãe, mãe, compra-me aquelas bolachas, por favor!”

Tive de esperar algumas semanas para ver aquele grande e magnífico pacote de bolachas, mas a verdade é que ele chegou. Recebi-o com um sorriso enorme e fui logo encher uma taça de leite (em nossa casa, havia) para me deliciar com aquelas bolachas de cereais com chocolate!
Mas interromperam-me o prazer. Ainda o pacote não ia a meio e já a minha mãe me estava a ralhar por estar a comer de mais.

Mas afinal por que é que esta é a minha campanha favorita? Já com alguma distância, temporal e de experiência, apercebo-me de como o anúncio encaixa perfeitamente e age sobre o seu público-alvo, os mais pequenos.
O personagem animado conquista logo as crianças e o monólogo é simples e engraçado, alcançando os mais novos e os adultos. É impossível não esboçar um sorriso.

Ou seja, com um único anúncio, a Cuétara consegue captar a atenção do seu público-alvo. A simplicidade e o senso de humor acabam também por captar a atenção dos adultos. O que é que se pode pedir mais?

E quanto da minha vida foi influenciado por este anúncio? Bem, não é simples relacioná-lo com o meu trajeto, quer estudantil, quer profissional. Facto é que, hoje em dia encontro-me a trabalhar como marketer na 10.digital, numa das melhores e mais enriquecedoras experiências profissionais da minha vida.

Será que foi o anúncio da Cuétara que me despertou o “bichinho” e me trouxe à 10.digital?

 

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Realidade mais furiosa? Como a Sega Saturn marcou Rui Alexandre.

Um anúncio avant-garde da Sega Saturn

Entrar em pista ao volante de um bólide de competição NASCAR. Velocidade alucinante. Elevada força G em curva. Supremacia. Estou a superar os rivais. Mas… o que é que está a acontecer?! Despiste. Cambalhotas. Hospitalização. Dores. Ah, ok, era apenas um jogo de computador da Sega Saturn. Dá prazer, mas não dói.

Olá. Sou o Rui Alexandre, tenho 36 anos e sou marketer na agência 10.digital. Como fui designer freelancer durante mais de uma década também desenvolvo aqui outro tipo de trabalho. Não sei se este anúncio virtual da consola Sega Saturn é a minha campanha favorita, mas foi o mais impactante, sem dúvida.

Eu tinha para aí 12, 13 anos e jogava videojogos que era uma coisa maluca quando esta publicidade saiu, com uma linguagem muito avant-garde para a época.
Falava de tudo, menos da consola em si. Só numa parte do vídeo é que aparece um game play. Eu apreciava este filme sobretudo pela estética e, não deixa de ser curioso, porque, apesar da sua espetacularidade, na altura a Sega iniciou o seu declínio e a PlayStation o crescimento. Só que eu gostava muito da Sega, era mesmo fã, e demorei muito tempo a ceder às outras marcas; já estava evangelizado.

A aposta no anúncio foi tão grande que até o distribuíram em cassetes que vinham em revistas. Pode ficar a conhecê-lo ou recordá-lo aqui:

Foi a primeira vez que vi uma publicidade tão invulgar e penso que, mais tarde, até serviu de inspiração para um programa televisivo sobre videojogos.

O anúncio fez-me desejar fortemente ter uma consola daquelas. Era caríssima, custava mais de 100 contos, naquele tempo em que ainda não havia euros. Numa proporção direta equivale hoje a 500 euros, mas com correção monetária representa de certeza bem mais. Chateei tanto o meu pai, que ele fez de conta que não tinha prenda no meu dia de aniversário, mas depois surpreendeu-me com aquela maravilhosa Sega Saturn. Um momento inesquecível.

 

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“O que é que se bebe aqui? ”, por Rafael Laranjeiro

Campanha Favorita por Rafael Silva

“O que é que se bebe aqui? Licor Beirão!”

A marca Licor Beirão colocou muitos portugueses a perguntar: “O que é que se bebe aqui?”, quando entravam num café ou restaurante. O anúncio da tv mostra Manuel João Vieira, de óculos escuros, camisa de seda às flores e microfone. Apanha uma avioneta, uma velha camioneta de carreira e um triciclo com uma ovelha na caixa de carga, para visitar bares e restaurantes em várias cidades de norte a sul do nosso país.

Na sua voz forte, Manuel João Vieira tanto pode cantar Mari Lu como perguntar: “O que é que se bebe aqui?” Infalivelmente, a malta do bar ou do restaurante responde, em uníssono: “Licor Beirão!”.

O vídeo pode ser visto aqui:

O anúncio teve tanto sucesso que, mais tarde, cerca de dez anos depois, outro protagonista, José Diogo Quintela, faz uma pergunta parecida: “Mas afinal o que é que se bebe aqui?”, diz o humorista, em tom indignado, perante a desfaçatez de portugueses que chegam a um bar e pedem bebidas estrangeiras.

É esta a minha campanha favorita. Chamo-me Rafael Laranjeiro, sou natural de uma pequena aldeia à beira mar chamada Costa de Lavos e sou o responsável financeiro da 10.digital. Bom, dito apenas assim, até pode parecer combinação ou demasiada coincidência devido ao facto de a 10.digital trabalhar o marketing do Licor Beirão. Mas não. Esta é a minha campanha favorita e escolhê-la-ia mesmo que aqui não trabalhasse. Talvez por ser um pouco tradicional e gostar tanto dos Ena Pá 2000, liderados por Manuel João Vieira, então protagonista do vídeo.

Antes de entrar na 10.digital trabalhei numa consultora, em Lisboa, onde não dispensava os concertos de punk rock no bairro de Alvalade ou umas visitas ao Titanic Sur Mer, o bar de Manuel João Vieira que fica no Cais do Sodré. Aquilo era incrível! E quando hoje vou à capital ver os jogos do meu grande clube, no estádio continuo a observar a publicidade do Licor Beirão a fazer a mesma pergunta que ouvimos há anos: ”O que é que se bebe aqui?”

 

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Uma campanha de fair-play, por Diogo Dias

Camisolas do Porto e Sporting num treino do Benfica

O aparecimento de camisolas dos eternos rivais FC Porto e Sporting, no espaço em que treina a equipa de futebol principal do Benfica, não é normal. Um cenário vermelho manchado de verde e azul?! Onde é que já se viu? Mas aconteceu e nem se tratou de uma sabotagem de leões ou dragões. A “culpa” é da Fundação Benfica e de um vídeo que fez, em março de 2017, que termina a dizer: “Todas as crianças têm direito à educação, independentemente da cor, crença ou clube.” Nem mais.

A história começa com um autocarro que vai a uma escola buscar os miúdos que tiveram melhores notas. O veículo dirige-se para o Centro de Treinos do Seixal, onde os alunos se sentam no banco de madeira dentro do balneário. Surge então o treinador Rui Vitória a anunciar aos petizes que vão jogar futebol com os craques benfiquistas. Para esse efeito, começa a distribuir-lhes camisolas do Benfica. A certa altura, o mister percebe que há ali crianças adeptas de outros clubes… Na imagem seguinte vemos os mais pequenos a interagir com os futebolistas famosos, na maioria com camisolas do Benfica… mas também um com camisola do FC Porto e outro com camisola do Sporting.

O vídeo pode ser visto aqui:

A Fundação Benfica deu-lhe o título: “Para não perdermos a noção do que é mais importante”.

Chamo-me Diogo Dias e sou web designer na agência 10.digital. Como tenho 22 anos sou o colaborador mais jovem da empresa. Este filme marcou-me muito porque nunca vi nada igual no mundo do futebol português. E marcou-me mais ainda por haver sempre grandes rivalidades neste universo, ao ponto de, por vezes, levarem a confrontos físicos.
Qualquer que seja a área da nossa sociedade, pôr os rivais num anúncio é coisa que cada vez menos se vê na publicidade e no marketing, quanto mais no mundo por vezes fundamentalista do futebol. É verdade que sou adepto do clube da Luz e que isso terá influenciado na escolha deste vídeo como minha campanha favorita. Mas como imaginam, há atitudes do Benfica em que me revejo e outras com que não me identifico. Nesta revejo-me.

 

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“Caixinha de emoções”, por Margarida Camacho

Todos os dias, depois do almoço, repete-se no nosso espaço de trabalho a frase “tens pastilhas?”. São um bem que nem sempre adquirimos, mas ao qual não resistimos quando ouvimos o barulho das chiclets a chocar umas contra as outras. Há algo especial naqueles pequenos paralelepípedos que nos inundam as papilas gustativas de sabor. Um sabor ou fresco, ou doce, ou picante… Há para todos os gostos, mas é o mentol que nos conquista, não é? São as pastilhas as nossas salvadoras, ao garantir que não vamos chocar o cliente com quem teremos uma reunião dentro de breves instantes. (Nada como evitar uma má impressão!).

O surgimento das Chiclets tem raízes no final do século XIX, nos EUA, resultado do empreendedorismo de Thomas Adams. As Chiclets da Adams são hoje mais difíceis de encontrar nos expositores das lojas, mas já tiveram a sua época áurea. Em 1985 (ou 1986) surgiu um anúncio em que um rapaz descrevia, em português do Brasil e num tom sensual, o prazer de mascar Chiclets. Dizia:
Quer distrair sua boca? Pega um Chiclets da caixinha e vai mordendo.
Pedacinho por pedacinho.
Você sente a casquinha quebrando, misturando com a goma. O gosto dura, dura.
Bom! e para quebrar o clima, você coloca o resto inteiro na boca!
(Riso)
É boooooommmm!
Voz off: Chiclets Adams, caixinha de emoções.

O anúncio pode ser visto aqui:

“Mas, então, Margarida, como é que foste escolher uma campanha que saiu ainda tu não eras nascida?” passo a explicar-vos, não sem antes me apresentar! Sou a Margarida e trabalho como marketer na 10.digital, já há mais tempo do que me parece! Ao longo dos meus mais de 20 anos de vida (vamos deixar as coisas assim, ok?) ouvi os meus pais a replicar algo que eu dizia quando era pequena. Sabem? Eu adorava comer. Mas adorava muito mesmo. E ainda adoro, verdade seja dita! E, macaquinha de imitação como só as crianças sabem ser, repetia o que ouvia na televisão, ao deliciar-me (especialmente) com Leitão à Bairrada “É boooooommmm!”. Então, porque não assumir que algo que me acompanhou sempre, mesmo quando não fazia a menor ideia que replicava um anúncio de televisão, é a campanha mais memorável da minha vida?

 

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