Outubro 26, 2018 10.digital

“Satisfaz o desejo de requinte”, Por João Oliveira

O Natal em Portugal não seria o mesmo sem o anúncio dos bombons Ferrero Rocher. Quem não se recorda da aristocrata, de vestido e chapéu amarelo-vivo, que segue no banco traseiro de um Rolls Royce Silver Spirit dourado e diz: “Ambrósio, apetecia-me tomar algo.”

O motorista responde: “Tomei a liberdade de pensar nisso, senhora” e carrega num botão que abre a portinhola de um compartimento de onde sai um prato com uma pirâmide do famoso bombom de chocolate e avelã envolto numa fina camada interior de wafer.

A publicidade termina com a assinatura da marca: “Ferrero Rocher, satisfaz o desejo de requinte”. Recorda-a:


O pequeno filme, protagonizado pela atriz Lee Beverly Skelton e pelo ator Paul Williamson, é um caso raro de longevidade. Convive com os portugueses há um quarto de século e, nos últimos anos, apenas passa em Portugal. Talvez por 25 anos ser um marco assinalável, uma recente notícia do site Dinheiro Vivo revela que o anúncio poderá ser substituído no Natal de 2018.

Esta campanha foi criada para o mercado italiano, mas as suas maiores conquistas terão acontecido por cá (ou deixaram de receber a clássica caixa de Ferrero Rocher no natal, daquela tia que nunca sabe o que oferecer?). Daí a sua persistência temporal, que por pouco supera um terço da história desta empresa de origem italiana, criada no final da II Guerra Mundial, e senhora de ótimos resultados no nosso país (lembrem-se que a Ferrero tem, entre outros, a Nutella e os ovos Kinder).

Bem, o meu apetite já está aguçado (como se fosse preciso muito para tal), resta-me passar a apresentações. Chamo-me João Oliveira, tenho 27 anos e sou web designer na 10.digital.

Escolhi este anúncio como minha campanha favorita porque, para além da minha veia entusiasta da locução e dobragem ter despertado a minha atenção para a técnica e registo envolvente de Vitor Espadinha, também a sua repetição, ano após ano, cravou este anúncio na minha memória que é predominantemente visual. Além disto, por mais consumismo desenfreado que exista no Natal, para mim, é sempre uma época que inspira alguma nostalgia e onde tudo ganha uma outra magia que até pode não ter o resto do ano.

Olhando para uma vertente mais estratégica, esta publicidade só pode mesmo ser eficaz – ou não fosse a Ferrero Rocher uma marca top of mind -, mesmo só se encontrando disponível no período mais frio do ano e tendo, por isso, tem que vender, num trimestre, ou pouco mais, aquilo que a concorrência escoa durante todo o ano.

Interessante, também, é o facto de a marca não recorrer à criatividade, que é uma das características mais comuns do marketing (pelo menos aqui na 10.digital), preferindo a repetição do anúncio ao longo dos anos. É a prova de que há excepções que confirmam a regra, não é?

 

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