Janeiro 24, 2020 Pedro Agostinho

Hey Siri, temos de falar.

São oito da manhã e acorda para ir a uma reunião bem no centro de Lisboa. Sabe que são oito da manhã porque, na noite anterior foi bem explícito:

🎤 Hey Siri, wake me up at eight o’clock, tomorrow.

Pelo sim, pelo não, o ideal é saber se vai estar a chover.

🎤 Hey Siri, will it rain tomorrow in Lisbon?

🎤 Hey Siri, remind me to take the umbrella tomorrow at nine a.m., tomorrow.

Voltamos ao dia de hoje. Toma o seu pequeno-almoço, agarra o chapéu de chuva e pega no volante. Os pedidos sucedem-se, de forma natural:

🎤 Hey Siri, drive me to Saldanha, Lisbon.

🎤 Hey Siri, play the latest John Mayer album.

Já nem precisa de ser específico, pede o último álbum do romântico norte-americano e a Siri que se safe a cumprir o pedido. Your voice is her command… Quando, por sorte, encontra um estacionamento incrível, memoriza onde vai deixar o carro:

🎤 Hey Siri, this is where I parked my car.

Tudo OK. Já nem se lembra da última vez que olhou para o smartphone, apesar de ter interagido com ele uma data de vezes. Lembra-se, a caminho da reunião, que é capaz de chegar tarde no regresso a casa.

🎤 Hey Siri, text My Love I might be late for dinner. Do not worry.

A reunião deixa bons indicadores e está na hora de almoçar.

🎤 Hey Siri, find me a great place for lunch in Lisbon.

Quando chega a hora de voltar, alguém que lhe diga onde deixou a viatura.

🎤 Hey Siri, where’s my car?

A dependência do ecrã diminui radicalmente com os comandos de voz, e criam-se oportunidades de marketing numa indústria que já irá valer 25 mil milhões de euros já em 2025.

Entre smartphones, computadores pessoais, aparelhos de reconhecimento de voz caseiros, smart tvs… o que não irá faltar é plataformas (leia-se oportunidades) para que as pessoas possam comprar produtos e serviços pela voz. Depois de afinadas as questões relativas à privacidade, para evitar polémicas desnecessárias, as marcas têm de se preparar para uma realidade em que cada voz conta, pois uma voz apenas consegue fazer um número praticamente ilimitado de compras.

O principal desafio passa por ultrapassar a desconfiança do consumidor e aprender as melhores práticas para conversar com o consumidor. Porque ninguém gosta de ser interrompido.

 

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